O Monitoramento dos Tanques com Sachê de
Larvicida para o Controle do Aedes Aegypti
no Município de Amontada
Autores: Georgina Freire Machado
João Dehon Lima Gomes
Introdução:
O município de Amontada situa-se à cerca de 162 quilômetros da capital Fortaleza no Estado do Ceará com população de 38.436 hab, pertence segundo o Plano Diretor Regional da Secretaria Estadual da Saúde do Ceará à 6ª Célula Regional de Saúde de Itapipoca e a Macrorregião de Fortaleza, sendo certificado para o controle de endemias respondendo integralmente por suas ações. As atividades desenvolvidas pelo setor de endemias buscam o fortalecimento da integralidade das ações com a epidemiologia dentro do organograma da Secretaria Municipal de Saúde. Sendo a dengue atualmente um dos maiores problemas de saúde pública nos últimos anos no Brasil não sendo diferente para o município de Amontada que tem apresentado incidência de casos de dengue expondo a população a todos os tipos de riscos desde a automedicação a casos de febre hemorrágica do dengue é urgente à tomada de medidas de controle eficientes e eficazes. A região Nordeste apresenta condições adequadas para o desenvolvimento dos mosquitos da dengue e este se adapta bem ao cenário urbano e ao calor excessivo, o que torna mais difícil o seu controle. O governo municipal através da Secretaria de Saúde tem responsabilidade de desenvolver ações para eliminar os criadouros de mosquitos. Foi sentindo essa necessidade que buscamos em conjunto redefinir estas ações para que tivéssemos êxito no resultado. Para isso em Julho de 2006 desenvolvemos o Plano Municipal de Combate ao Dengue com participação dos diversos setores da saúde e diversos segmentos do município. No plano constava entre várias ações a criação do HOMEM TANQUE que iria especificamente monitorar os depósitos positivos com larvas em virtude dos tanques serem os tipos de depósitos com maior presença destas e serem os maiores responsáveis pelo elevado índice de infestação do mosquito.
Objetivo:
- Reduzir o índice de infestação predial do Aedes Aegypti
Específicos:
- Monitorar os depósitos com presença de larvas do Aedes Aegypti
- Diminuir a incidência de casos de Dengue
- Reduzir os riscos da população exposta
DESCRIÇÃO DAS TÉCNICAS:
Partindo do princípio de que a maior incidência de larvas do Aedes Aegypti eram em depósitos tipo B, mais precisamente nos tanques resolvemos realizar diversas experiências em laboratório com depósitos semelhantes aos tanques. Confeccionamos no município os saches com tecido de algodão e com cordão para ser amarrado e permitir que o sache ficasse bem posicionado. Os sache foram completos de larvicida e daí finalmente iniciamos a experiência. Começamos colocando pequenas quantidades de sache em tambores com larvas de culex no qual trocávamos a água e as larvas diariamente e mantendo o mesmo sache. Realizamos esse processo por vários dias e chegamos à conclusão que o larvicida dentro do sache permanecia resistente e, portanto, eficaz no controle ao Aedes Aegypti por um período de 15 dias. Tendo este resultado em mãos partimos para o campo e iniciamos o monitoramento com o sache em 36 tanques no bairro do Centro que apresentava no 3º Ciclo de 2006 o maior índice de infestação predial naquele momento. O resultado foi satisfatório e ampliamos o monitoramento do Homem Tanque para 461 depósitos. Observamos nesse período que ao reduzirmos o índice nos tanques as larvas estavam se tornando mais presente em outros tipos de depósito como os potes. Nesse momento foi preciso intensificar o tratamento nesses depósitos de forma a impedir o refúgio do mosquito. Em virtude do bom resultado atualmente estamos monitorando quinzenalmente com o uso dos saches de larvicidas 1630 depósitos com o trabalho de 03 HOMENS TANQUES, ou seja, 03 Agentes de Endemias que assumiram esta função específica.
Resultados:
Gráfico I-Índice de positividade em tanques em relação aos outros tipos de depósitos nos anos de 2006 e 2007 no município de Amontada.
Gráfico II-Índice de Infestação Predial por Ciclo nos anos de 2005 a 2007* no município de Amontada.
Comparando o comportamento dos índices de infestação de 2005 a 2007 por ciclo verificamos a tendência crescente no 1º e 2º ciclos nos anos de 2005 e 2006. Já a partir do 3º Ciclo de 2006, período de implantação do HOMEM TANQUE com o uso do Sache de larvicida, observamos a curva decrescente a partir desse ciclo. Vale ressaltar que no 4º ciclo de 2006 houve um discreto aumento do índice em virtude do refúgio do mosquito para outros tipos de depósitos e que após a intensificação nos outros depósitos observamos que no 5º Ciclo de 2006 voltamos à decrescer
Gráfico III-Número de Casos de Dengue Clássico nos anos de 2001 a 2007* no município de Amontada
Fonte: SINAN do Estado do Ceará
* parcial até semana epidemiológica 40
Conclusão
Concluímos que o uso do sache de larvicida com o monitoramento do HOMEM TANQUE é uma ação que proporciona resultados eficazes no controle do mosquito transmissor do dengue, acessível, de baixo custo e de baixa complexidade e, portanto viável como ação de saúde pública para nossos gestores. É preciso envolver os diversos autores a fim de traçarmos atividades viáveis para execução. De uma simples reunião juntamos idéias e chegamos à experiência. Da experiência ao campo. Do campo aos resultados. Os resultados: Redução do índice de infestação predial de quase 3% para 0,09%; Diminuição dos casos de dengue de137 em 2006 para 02 casos importados em 2007;
Recomendamos a implantação do Homem Tanque com o sachê de larvicida nos depósitos como tanque e semelhantes para o controle do Aedes Aegypti.


